segunda-feira, 27 de março de 2017

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A sensação de inutilidade está sempre ali, quando sinto prazer por trinta segundos e depois volto a pensar no torpor que está a minha vida; quando beijo alguém pra tentar esquecer outra pessoa; quando leio cinco livros por semana e me sinto vazia; quando meus amigos conversam entre si e eu me isolo propositalmente para não ter que interagir; quando recebo mensagens de alguém com quem eu me importo, mas não tenho a mínima força de vontade pra responder e demonstrar isto; quando troco a oportunidade de pensamentos profundos só pra me encaixar no padrão de vida de outras pessoas; quando não sou eu mesma com ninguém, porque não sei quem sou.
A sensação de superioridade está aqui, 24/7. Porém, ao mesmo tempo 0/0. Ótima e um lixo, uma perfeita combinação.
Não quero ouvir você me dizendo que sou bonita e inteligente, vá pra puta que pariu com essa. Eu não preciso ouvir, eu preciso entender!
Dureza é casca que qualquer um quebra facilmente, mas não quero que seja você que quebre a minha. Especial, sim. Suficiente, jamais. Nunca diga nunca é só na teoria, mas eu estou farta delas, estudo e nada me preenche, nada me basta, e em nome de seja lá quem for, não será você que vai fazer isso.
Sonho com realizações, inteligência, cigarros, fodas e escuridão, mas nada que me tire a dor de olhar para eu mesma todos os dias e pensar em só um corpo. Que vai ser usado e desfrutado, mas não admirado e estudado.
Palavras bonitas me enojam muito, mas no fim parece que é sempre o que tento escrever. Rebuscar a minha realidade indiferente para que chame a atenção.

Quero um refúgio, mas quero que eu seja o refúgio. Esse é o meu maior desejo e o que tenho certeza que mais vou demorar para realizar.

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